Coluna: Tá chegando a hora… É?

HomeGolaço - Guilherme Novaes

Coluna: Tá chegando a hora… É?

Vamos todos juntos, pra frente Brasil, salve a Seleção!

Me lembro como se fosse hoje. Em 1982, com oito anos, na quadrinha de meu prédio com Alemão, Fabiano, Negão, Neguinho, Álvaro e Rodrigo Boca Mole (hoje estaria preso com esses apelidos), vivíamos o clima da Copa da Espanha.

»» Leia também: Coluna: Neymar e mais 25. O que esperar?

Eram dias de ansiedade antes da estreia contra a União Soviética. De um lado, o paredão Dassaev. De outro o esquadrão de Tele Santana com Zico, Sócrates, Falcão. Na TV e nos jornais dois dilemas. Quem jogaria na vaga de Cerezo, suspenso da primeira partida?

E como Telê ousava! Escalar o time sem dois pontas, apenas com Éder, menos ofensivo do que Zé Sérgio, por exemplo, e na direita, as alternativas Paulo Isidoro ou Dirceu. Ao final deu Dirceu, na época no Atlético de Madri (ESP) levou a melhor com o Tiziu (190, novamente) entrando na segunda etapa.

Toda essa pitada histórica para uma analogia da Copa 2026 que já já começa nos EUA, México e Canadá. Em um futebol globalizado pelas inúmeras transmissões, a expectativa de conhecer algum craque é próxima de zero. Todo mundo se conhece, se estuda e o tal “não tem mais bobo no futebol” é cada vez mais normal.

Assim, a tensão para um jogo contra Marrocos, passa a ser menor do que a de um Palmeiras x Corinthians na 20ª Rodada do Brasileirão. Exagero? Não é!

Estamos a pouquíssimos 13 dias da primeira partida e o que se ouve, fala e transpira? No máximo sobre o fim do casal Virgínia e Vini Jr, o Grau 2 da Panturilha do Neymar, sobre a Virgínia comentando na Globo (olha ela ai de novo) e uma ou outra notícia de interesse local como a convocação do Menphis Depay pela Holanda ou a ausência de jogadores do Real Madrid na Fúria. No mais, uma pasmaceira só.

O que aconteceu? Alguns palpites. A falta de identificação de 80% dos jogadores com o povo, a colossal distância da Granja Comary com os torcedores, a divisão brasileira entre hatters e lovers de Neymito e, a falta de expectativa da Galera, mesmo com a chegada de Ancelotti.

Lembro das Eliminatórias de 1982, nos 3 a 1 contra a Bolívia no Maracanã, com três de Zico, mas queimo os neurônios e o Tico e Teco para lembrar do último resultado dessas vexatórias classificação ao Mundial. (Desafio a você lembrar sem a consulta ao Google).

Mas acabou a Seleção? Não, os tempos mudaram. Hoje um álbum e suas figurinhas custam R$ 50,00 ao invés dos centavos do ping pong do século passado. A camisa Canarinho vale R$ 800,00, meio salário mínimo e por ai vai. Nos distanciamos do maior símbolo nacional, o único capaz de nos unir.

Por fim, no domingo agora teremos o último amistoso antes do embarque aos EUA. Você sabia que jogaremos contra o poderoso Panamá, em meio ao Brasileiro? Duvido, mas tenho certeza de que irá desfrutar do seu time antes da parada de quase 50 dias da Copa. Mentira? Duvido e aposto.

Guilherme Novaes é jornalista, comentarista e colunista esportivo.

COMENTÁRIOS

Abrir bate-papo
Olá 👋
Podemos ajudá-lo?