Estacionamento rotativo divide opiniões e coloca comércio e turismo no centro do debate

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Estacionamento rotativo divide opiniões e coloca comércio e turismo no centro do debate

Empresa que vai operar a cobrança de estacionamento rotativo em vias de Guarujá é definida e moradores e comerciantes discutem impactos da chamada “zona azul” no turismo, no trânsito e no comércio. Projeto prevê 3 mil vagas em vias turísticas e de comércio.

Karina Mingarelli
Da Reportagem

A implantação do estacionamento rotativo pago, conhecido como Zona Azul, abre uma nova discussão sobre mobilidade urbana em Guarujá às vésperas da temporada de verão. A proposta prevê a cobrança pelo uso de vagas em vias públicas de regiões comerciais e turísticas, com o objetivo de ampliar a rotatividade dos veículos.

Entre moradores e representantes do comércio, porém, há opiniões diferentes sobre os benefícios e os possíveis efeitos da medida.

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O sistema de cobrança ainda não teve, até o fechamento desta reportagem, um anúncio oficial da data para entrar em vigor, pois está em fase de adequação, com sinalização vertical e horizontal nas vias da cidade, além de um período de comunicação à população de como funcionará. A previsão é que seja implantado em até 90 dias.

O contrato de concessão foi assinado em 13 de outubro de 2026 entre a Prefeitura de Guarujá e a empresa Rizzo Parking and Mobility S/A. A concessão tem vigência de dez anos e abrange a implantação, operação, manutenção, fiscalização, monitoramento e gerenciamento do sistema.

Roda Guarujá

A Prefeitura marcou para esta sexta-feira (23), às 10h30, a apresentação do projeto Roda Guarujá, no Gabinete do Prefeito. O encontro deverá detalhar o funcionamento do serviço e as etapas previstas para a implantação e contará com a presença do prefeito Farid Madi e o diretor da Rizzo Park, Thiago Balbino.

Segundo informações divulgadas pela empresa em suas redes sociais, o projeto prevê aproximadamente 3 mil vagas rotativas, com tarifa estimada em R$ 2 por hora, distribuídas por 97 vias.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Comunicação para confirmar a relação de ruas contempladas, mas a informação estava embargada para o anúncio oficial.

A distribuição divulgada pela operadora prevê 32 vias em Vicente de Carvalho, duas no Tombo, seis nas Astúrias, 23 em Pitangueiras e 34 na Enseada.

As tarifas definitivas, os horários de cobrança, as regras para moradores e trabalhadores e as formas de pagamento são dúvidas que surgiram entre a população após a divulgação da homologação da empresa no Diário Oficial do Município desta quarta-feira (21).

Comércio vê benefícios, mas pede adaptação

Para o presidente da Associação Comercial de Guarujá, Wagner Souza, a implantação do sistema pode favorecer os estabelecimentos ao permitir que mais consumidores encontrem vagas para estacionar.

Segundo ele, atualmente há locais em que os veículos permanecem estacionados durante boa parte do dia, dificultando o acesso de clientes às lojas. A rotatividade, na avaliação da entidade, pode melhorar a circulação de consumidores e contribuir para a atividade econômica.

A associação, entretanto, demonstra preocupação com a possibilidade de a cobrança começar já na temporada de verão 2026/2027, período de maior movimentação na cidade.

“É importante também que a população compreenda que o objetivo do estacionamento rotativo não é simplesmente a cobrança pelo uso das vagas, mas garantir uma utilização mais democrática e eficiente”, afirmou Wagner.

A entidade defende uma campanha prévia de orientação, com divulgação das tarifas, horários, regras e meios de pagamento. Para Wagner, o diálogo com moradores, comerciantes e turistas será importante para evitar dúvidas e dificuldades operacionais durante a implantação.

Em Vicente de Carvalho, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) também busca ouvir os comerciantes. A presidente da entidade, Sandra Salvador, estava realizando uma consulta ao setor para levantar a posição dos empresários do distrito até o fechamento desta reportagem.

A preocupação com o comércio aparece no relato de Denise, empresária do Bazar da Economia. Ela avalia que a cobrança pode prejudicar as vendas em Vicente de Carvalho, onde, segundo sua experiência, já há poucas vagas disponíveis e dificuldades para estacionar nas proximidades dos estabelecimentos.

Denise afirma que os próprios comerciantes e funcionários ocupam parte das vagas durante o expediente. Com a cobrança, teme que clientes deixem de frequentar as lojas ou que motoristas procurem ruas internas, muitas delas estreitas e já utilizadas para estacionamento de veículos e caminhões.

“Eles teriam que organizar o trânsito primeiro antes de pensar em cobrar por vaga”, argumenta.

A empresária também aponta a preocupação com a segurança dos veículos em ruas mais afastadas e considera que a retirada de flanelinhas deveria estar entre as prioridades do poder público.

Moradores apontam problemas diferentes

Entre os moradores ouvidos pela reportagem, a expectativa de melhorar a disponibilidade de vagas divide espaço com o receio de aumento dos gastos e de uma cobrança que não resolva os problemas de trânsito.

O fisioterapeuta e empresário Phelipe Rocha considera que o estacionamento rotativo pode trazer benefícios, especialmente diante das abordagens de flanelinhas em áreas como Pitangueiras. Ele relata situações em que motoristas se sentem pressionados a pagar para estacionar.

“Na minha opinião, deveria haver dois tipos de tarifas: uma para moradores e outra para turistas”, afirma. Para Phelipe, a cobrança pode ser aceitável caso contribua para reduzir esse tipo de abordagem e garantir mais tranquilidade a quem utiliza as vagas públicas.

Já o bancário Marcos Barbosa considera que o sistema pode ser útil em pontos onde os veículos permanecem estacionados durante todo o dia, inclusive em ruas próximas à praia na temporada. Ele relata que alguns turistas deixam os carros por vários dias em áreas residenciais, reduzindo a disponibilidade de vagas para outras pessoas.

Marcos, no entanto, defende que a implantação seja acompanhada de fiscalização efetiva. Para ele, o trabalho não deve se limitar à cobrança pelo estacionamento, mas também precisa coibir veículos parados em esquinas, ciclovias e frente a garagens.

“Se não fiscalizar, vai ser visto apenas como algo arrecadatório”, avalia. O bancário também considera importante que o sistema tenha caráter educativo.

O jornalista Guilherme Novaes, por sua vez, teme que a Zona Azul não elimine os problemas existentes e que apenas altere a forma de cobrança pelo uso das vagas.

“Mudarão de flanelinhas para vendedores de Zona Azul”, afirma. Ele também prevê possíveis impactos no trânsito das áreas turísticas e comerciais de Vicente de Carvalho, além de aumento de custos para quem utiliza o estacionamento diariamente.

A advogada Beatriz Biancato defende que a proposta seja acompanhada de planejamento e transparência. Ela considera importante priorizar vias de grande circulação e áreas próximas a clínicas e serviços de saúde, onde a permanência prolongada de um mesmo veículo pode dificultar o acesso de outros motoristas.

A munícipe também ressalta a necessidade de considerar idosos, pessoas com deficiência e pacientes que precisam estacionar para consultas e atendimentos. “O desafio é implantar um sistema que realmente melhore a circulação, respeite as necessidades dos moradores e contribua para o desenvolvimento do comércio e do turismo, com regras claras, fiscalização e transparência”, afirma.

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