Coluna: Coisas que estão acabando. Que pena!

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Coluna: Coisas que estão acabando. Que pena!

No convívio social brasileiro, testemunhamos o desaparecimento gradual de hábitos fundamentais. Não se trata de um saudosismo vazio ou do clássico “no meu tempo era melhor”, mas sim da constatação de que certos costumes saudáveis, que refletem o grau de maturidade de uma nação, estão entrando em extinção.

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Palavras simples como “bom dia”, “por favor” ou “obrigado” parecem ter sido removidas do vocabulário cotidiano. Notamos isso de forma acentuada entre os jovens, embora muitos mereçam o benefício da dúvida: se agem com descaso, é porque não foram ensinados.

O que causa maior espanto, porém, é observar adultos que receberam essa educação e hoje optam deliberadamente por ignorá-la.

A conduta nas ruas é outro termômetro dessa decadência. Embora muitos tutores de animais deem o exemplo ao recolher os dejetos de seus pets, ainda é comum ver pessoas que ignoram a sujeira deixada para trás com total naturalidade. O “azar” de quem vier a seguir e pisar no rastro da falta de higiene alheia parece não comover o infrator.

No trânsito, a civilidade dá lugar a uma disputa frenética. Mal o semáforo muda para o verde, e a sinfonia de buzinas começa. Na fila da balsa, o cenário se repete: uma correria ansiosa, com motoristas acelerando como se o espaço fosse se esgotar a qualquer segundo, ignorando a ordem e a segurança.

Diante de tantos exemplos, a pergunta que ecoa é: por quê? Por que essa ânsia em competir por tudo e em adotar a estupidez como padrão de trato social?

Infelizmente, essa cultura muitas vezes emana daqueles que deveriam dar o exemplo. É o político que fura a fila no aeroporto sob o pretexto de sua “autoridade”; é a ambulância que aciona a sirene sem pacientes apenas para fugir do congestionamento. Esses comportamentos alimentam o nefasto vício do “Sabe com quem está falando?”.

Precisamos resgatar um conceito básico: a verdadeira importância não é imposta pelo grito ou pelo cargo; ela é conquistada por meio do reconhecimento espontâneo das pessoas.

Em sua obra clássica Raízes do Brasil (1936), o historiador Sérgio Buarque de Holanda definiu o brasileiro como o “homem cordial”, movido pelo afeto e pela proximidade. Hoje, essa cordialidade murcha diante de uma nova e triste “verdade”: a de que se deve tirar vantagem em tudo, custe o que custar.

Abandonar os bons hábitos é, em última análise, um “tiro no pé”. Quando um povo abre mão da educação, quem perde é a própria identidade da nação. A forma como tratamos o próximo reflete o quão evoluídos somos.

Neste Brasil que tanto amamos, vale a reflexão: no meio de tudo isso, como você tem agido?

Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.

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